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02/05/2026: Cruzeiro 1x3 Atlético
Motivo: 14ª rodada do Campeonato Brasileiro
Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Gols: Alan Minda, aos 11′ do 1ºT (ATL); Maykon, aos 30′ do 2ºT (ATL); Cassierra, aos 26′ do 2ºT (ATL); Kaio Jorge, aos 40′ do 2ºT (CRU)
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza (SP)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Alex Ang Ribeiro (SP)
VAR: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Público: 53.921 torcedores
Renda: R$ 4.014.834,50
Cruzeiro: Otávio; Kauã Moraes (Néiser Villarreal, aos 39′ do 1ºT), Fabrício Bruno, Jonathan Jesus e Kaiki; Lucas Romero (Bruno Rodrigues, aos 16′ do 2ºT) e Gerson (João Marcelo, aos 32′ do 2ºT); Matheus Pereira (Matheus Henrique, aos 32′ do 2]T), Arroyo, Christian (Wanderson, aos 16′ do 2ºT) e Kaio Jorge.
Técnico: Artur Jorge.
Atlético: Everson; Natanael, Lyanco, Ruan Tressoldi, Junior Alonso e Renan Lodi; Maycon (Tomás Perez, aos 43′ do 2ºT), Alan Franco, Bernard (Kauã Pascini, aos 31′ do 2ºT) e Alan Minda (Reinier, aos 18′ do 2ºT); Cassierra (Cauã Soares, aos 43′ do 2ºT).
Técnico: Eduardo Domínguez.
Cartões amarelos: Ruan Tressoldi, aos 4′ do 1ºT (ATL); Alan Franco, aos 47′ do 1ºT (ATL); Lyanco, aos 10′ e aos 33′ do 2ºT (ATL); Christian, aos 10′ do 2ºT (CRU); Arroyo, aos 18′ e aos 21′ do 2ºT (CRU); Cassierra, aos 24′ do 2ºT (ATL); Reinier, aos 28′ do 2ºT (ATL); Júnior Alonso, aos 38′ do 2ºT (ATL)
Cartões vermelhos: Arroyo, aos 18′ do 2ºT (CRU); Kaiki, aos 29′ do 2ºT (CRU); Lyanco, aos 33′ do 2ºT (ATL)
O cenário era todo favorável ao Cruzeiro: mandante no Mineirão, com mais de 53 mil torcedores a favor, e em momento de ascensão. Nada disso foi considerado pelo Atlético. Mesmo em crise no extra-campo, com o técnico na ‘berlinda’ e sem peças importantes, o Galo dançou conforme os gritos da massa e praticamente resolveu o clássico em 30 minutos. De forma surpreendente, o alvinegro derrotou o maior rival por 3 a 1, neste sábado (2/5), pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, em jogo marcado por três expulsões.
A estratégia das equipes era clara – e explicada pelas circunstâncias vividas por cada uma, evidentemente. O Cruzeiro entrou com a intenção de ter a posse, mas se esbarrou em uma defesa composta por cinco homens e viu as tentativas de infiltração serem cortadas. O Atlético queria aproveitar contra-ataques e encontrou no setor ofensivo o principal nome do clássico: Alan Minda. Justamente na base da velocidade, o Galo encontrou os dois primeiros gols. Ainda aos 11 minutos do primeiro tempo, depois de jogada bem tramada pelo lado esquerdo, o atacante Alan Minda empurrou para o fundo da meta sem marcação, já na pequena área. Pouco depois, aos 30, o equatoriano sofreu pênalti, convertido pelo volante Maycon.
A reta final ganhou contornos tensos, que inclusive respondem à seguinte pergunta: como seria o reencontro das equipes após a final do Campeonato Mineiro, vencida pela Raposa e marcada por cenas de selvageria? No mínimo pegado fisicamente. As faltas do primeiro tempo – o goleiro Everson e o volante Christian, protagonistas do início da confusão, chocaram-se em certo momento, mas não teve pós – se tornaram nada perto dos embates do segundo. O atacante Arroyo e o lateral-esquerdo Kaiki, do Cruzeiro, e o zagueiro Lyanco, do Atlético, foram expulsos.
Falando de bola, o Galo aproveitou outra oportunidade quando Renan Lodi avançou com liberdade e cruzou na medida para o atacante Cassierra fazer o terceiro, aos 26 minutos. Depois de tanta confusão e com apenas oito jogadores de linha, o Cruzeiro descolou um pênalti, convertido pelo atacante Kaio Jorge, aos 40 minutos. Apesar do resultado frustrante, a nação azul, que, mais uma vez, fez o dever de casa e lotou o Gigante da Pampulha (53.921 torcedores no estádio), aplaudiu os atletas. No fim, vibrou a massa alvinegra, que teve à disposição 2,5 mil ingressos.
Artur Jorge, comandante do Cruzeiro, não promoveu mudanças na formação. Em relação às peças, apenas trocou o lateral-direito Fagner por Kauã Moraes, em tentativa de dar mais agressividade para o lado direito. Eduardo Domínguez, técnico do Atlético, precisou lidar com três desfalques de última hora (zagueiro Vitor Hugo, meio-campista Victor Hugo e atacante Cuello) e escalou equipe com estrutura mais defensiva, intenção caracterizada por linha de cinco defensiva. Em casa, em momento de ascensão e diante de um rival modificado, o Cruzeiro assumiu a posse desde o minuto inicial. Rodou bola no meio-campo e, diante da quantidade de adversário na última linha, investiu em passes longos para tentar atuar nas costas da defensa. Sem muito sucesso. Os atleticanos quem aproveitaram a estratégia de contra-ataque. Depois de recuperar a bola, o Galo se lançou ao setor ofensivo. O lateral-esquerdo Renan Lodi acionou o atacante Bernard na ponta direita, recebeu de volta, ganhou na corrida e cruzou. O atacante Alan Minda se antecipou ao zagueiro Jonathan Jesus e cabeceou nos pés de Cassierra, que devolveu para o equatoriano. Sozinho na pequena área, o alvinegro precisou de apenas um toque para balançar a rede e abafar a torcida celeste: 0 a 1.
O tento travou a partida, que já era faltosa, e fez bem ao Galo. Com a vantagem no marcador, o Atlético conseguiu manter a bola no setor ofensivo por mais tempo, sem abrir mão do plano inicial – defender-se com vantagem numérica e buscar contra-ataques. Em um deles, inclusive, Cassierra e Alan Minda sobraram no campo ofensivo diante apenas do lateral-esquerdo Kaiki. A jogada terminou com pênalti, auxiliado pela VAR, do defensor celeste no equatoriano – o nome do confronto, até então. O volante Maycon partiu para a bola, deslocou o goleiro Otávio e ampliou: 0 a 2. Restou ao Cruzeiro trabalhar para manter o psicológico estabilizado. Artur Jorge até
tentou dar potência ao ataque acionando o atacante Néiser Villarreal na vaga de Kauã Moraes, mas não obteve resultados esperados. Surpreendidos e em nível abaixo do esperado, os celestes não encontraram alternativas para furar a defesa bem postada do Galo. Apesar de terem ocupado o campo de ataque por tempo considerável, não levaram perigo real à meta defendida por Everson, dando indícios de ansiedade, e deixaram o gramado abatidos.
Segundo tempo de três expulsões e vitória do Galo mantida
Artur Jorge e Domínguez não mexeram no intervalo e sustentaram as estratégias. Quando tinha a bola, o Cruzeiro jogava com quase todos os atletas de linha no campo ofensivo e aumentava a porcentagem da posse. Mesmo assim, não chegou a sujar o uniforme de Everson, pois pecou nos momentos decisivos.
O Atlético apenas esperava oportunidades para dar o bote, jogar no erro do adversário e ora investir na correria, ora tentar controlar a bola para a manutenção do placar. Sem encontrar soluções, Artur Jorge abriu mão de um volante (Romero) para acionar outro atacante (Bruno Rodrigues). Ainda repôs a energia do lado direito ao substituir Christian por Wanderson. Domínguez logo respondeu e sacou Alan Minda para dar oportunidade a Reinier. Arroyo complicou ainda mais a vida do Cruzeiro no meio da segunda etapa. Aos 18 minutos, o atacante recebeu cartão amarelo por peitar o volante Alan Franco. Passaram-se apenas três minutos, e o equatoriano levou a segunda advertência ao parar contra-ataque de Renand Lodi. O Atlético concluiu a passagem no ataque obrigando Otávio a se esticar – a melhor chance da parcial. Mesmo com um a menos, a Raposa não abriu mão do campo ofensivo. Contudo, esbarrou-se nos problemas ditos anteriormente e pouco fez para descontar o marcador. Exposto, viu o rival ‘fechar o caixão’ aos 26 minutos. Na ocasião, Renan Lodi desceu com tranquilidade e teve tempo e espaço para pensar na jogada. O lateral cruzou na medida para o atacante Cassierra ampliar: 0 a 3. Pensou que o prejuízo celeste não aumentaria? Aos 26 minutos, Kaiki fez falta no lateral-direito Natanael. Em um primeiro momento, o árbitro Flávio Rodrigues de Souza mostrou o amarelo. No entanto, foi acionado pelo VAR, consultou as imagens e trocou a cor do cartão: outro expulso. Não restou a Artur Jorge repor o sistema defensivo e cancelar a ideia de reagir. Entraram o zagueiro João Marcelo e o volante Matheus Henrique nos espaços dos principais armadores: Gerson e Matheus Pereira, respectivamente. Domínguez também reforçou a defesa e deu chance ao lateral-esquerdo Kauã Pascini – no lugar de Bernard. A intensidade gerou outra expulsão. Lyanco também teve que ir ao vestiário mais cedo. O zagueiro fez falta dura no atacante Kaio Jorge e também recebeu o segundo amarelo. Chamou atenção o desenrolar do lance. O defensor foi duramente repreendido por Renan Lodi – tiveram que ser separados por outros companheiros. Ainda deu tempo de o Cruzeiro descontar. Aos 38 minutos, o zagueiro Junior Alonso derrubou Kaio Jorge na área, e Flávio Rodrigues de Souza imediatamente apontou para a marca da cal. O próprio centroavante converteu: 1 a 3.
Derrotado, o clube estrelado freou reação no Brasileiro e caiu da 12ª para a 14ª posição, pelo menos de forma momentânea, com os mesmos 16 pontos. O Galo voltou a vencer, ultrapassou o rival e subiu para a 11ª colocação, com 17 pontos.
